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quinta-feira, 22 de novembro de 2018
O que significa as pinturas nos corpos dos Índios
A pintura corporal utiliza tintas naturais, provindas de árvores e frutos. A mais utilizada é preparada através do jenipapo, uma fruta muito apreciada pelos índios. ... A arte corporal com pintura é individual e única de cada grupo indígena, possuindo diversos significados e motivos pelo seu uso
KADIWÉUS - ARTE
Os finos desenhos corporais realizados pelos Kadiwéu constituem-se em uma forma notável da expressão de sua arte. Hábeis desenhistas estampam rostos com desenhos minuciosos e simétricos, traçados com a tinta obtida da mistura de suco de jenipapo com pó de carvão, aplicada com uma fina lasca de madeira ou taquara. No passado, a pintura corporal marcava a diferença entre nobres, guerreiros e cativos.
As mulheres Kadiwéu produzem, igualmente, belas peças de cerâmica: vasos de diversos tamanho e formato, pratos também de diversos tamanhos e profundidade, animais, enfeites de parede, entre outras peças criativas. Decoram-nas com padrões que lhes são distintos, que segue a um repertório rico, mas fixo, de formas preenchidas com variadas cores. A matéria-prima de seu trabalho encontram-na em barreiros especiais, que contêm o barro da consistência e tonalidade ideais para a cerâmica durável. Os pigmentos para sua pintura são conseguidos de areias dos mais variados tons, alguns dos detalhes sendo envernizados com a resina do pau-santo.
Podemos também ver a arte Kadiwéu expressa nos cânticos das mulheres velhas, nas músicas dos tocadores de flauta e tambor, e nas danças coletivas.
Cerâmicas da Tribo Terena
Tribo Terena
Os terenas são um grupo indígena brasileiro que pertencem ao subgrupo dos guanás.
Vivem principalmente no estado de Mato Grosso do Sul (Áreas Indígenas Aldeinha, Buriti, Dourados, Lalima, Limão Verde, Nioaque, Pilade Rebuá, Taunay/Ipegue e Terras Indígenas Água Limpa e Cachoeirinha, a oeste da Reserva Indígena Kadiwéu, na Área Indígena Umutina e a leste do rio Miranda). Podem ser encontrados também no interior do estado brasileiro de São Paulo (Áreas Indígenas Araribá e Icatu). Além disso, situam-se ainda na margem esquerda do alto rio Paraguai, em Mato Grosso; também vivem no norte deste estado, entre os municípios de Peixoto de Azevedo, Matupá e Guarantã do Norte, na Terra Indígena Gleba Iriri Novo, às margens do rio Iriri, nas aldeias Kopenoty, Kuxonety Poke'é, Inamaty Poke'é e Turipuku.
Possuem a cultura do plantio, e apresentam um grande grau de integração com a sociedade circundante.
O Mato Grosso do Sul abriga uma das maiores população indigena do país . Os terenas , por contarem com população bastante numerosa e materem um contato intenso com a população regional , são povos indigenas cujo apresensa no estado se revela de forma mais explicita , seja atraves das mulheres vendedoras nas ruas de Campo Grande ou das regiões de cortadores de cana -de-açucar .
Eles vivem atualmente em um territorio descontinuo , fragmentado em pequenas "ílhas''cercadas por fazendas e espalhadas por sete municípios sul-matogrossenses : Miranda , Aquidalana ,Anastacio ,Dois irmãos do buriti ,Sidrolândia ,Nioaque e Rochedo .Cerâmica Terena.
Cerâmica Terena
Os índios Terena são conhecidos pela habilidade na agricultura e no artesanato.
Sua etnia constitui a maior nação indígena de Mato Grosso do Sul-MS, cerca de 18 mil indivíduos, com uma ocupação fragmentada em diversas regiões. De índole pacífica pertencem ao tronco lingüístico Aruak.
Cultivam em suas terras arroz, feijão, feijão de corda, maxixe, mandioca e milho, alimentos que formam a base de sua alimentação.
Os Terena lutaram na Guerra do Paraguai e colaboraram com o Marechal Rondon na construção de linhas telegráficas e também trabalharam na construção da estrada de Ferro Noroeste do Brasil.
Alguns habitam aldeias ou reservas criadas pelo Governo e muitos vivem nas periferias das cidades. Campo Grande, capital do estado, acolhe um número significativo deles.
A alternativa atual do artesanato Terena, como meio de subsistência, se dá, principalmente, através do barro, da palha, da tecelagem - atividades que representam um nítido resgate de sua arte ancestral indígena.
O barro (massa) é preparado misturando aditivos (por eles chamados de temperos), para regular a plasticidade: pó de cerâmica amassado e peneirado, conchas trituradas, cinzas de vegetais etc. Numa fase anterior são retirados da argila resíduos como restos de vegetais, pedras etc
As queimas são feitas em fogueiras a céu aberto ou em rudimentares fornos, usando lenha como combustão. Os indígenas verificam o estado do ciclo da queima tilintando com um pedaço de taquara nas peças. Através do som obtido constatam o estágio da cozedura.
As peças produzidas pelos Terena podem ser encontradas em Miranda, Aquidauana, e na Casa do Artesão de Campo Grande, além de muitos outros locais.
Conflitos pela posse de terras indígenas em Mato Grosso do Sul
O Mato Grosso Sul foi criado em 1977 e implantado em 1979, durante o regime militar (19641985), a partir do desmembramento de 357.145,532 km2 de Mato Grosso. Nesta parte do Centro-Oeste estão estabelecidas comunidades Atikum, Guarani (Ñandeva), Guató, Kadiwéu, Kaiowá, Kamba, Kinikinau, Ofaié e Terena, dentre outras. Segundo censo oficial realizado em 2010, a população indígena no estado totalizaria 73.295 pessoas, a segunda maior no país. Paradoxalmente, a grande maioria vive em espaços diminutos e insuficientes para sua reprodução física e cultural.
A realidade apontada favorece ao confinamento de milhares de famílias em pequenas extensões de terra, como ocorre em reservas criadas nos anos 1910 e 1920. A situação é tão grave que na reserva indígena de Dourados, instituída em 1917, há uma população multiétnica de aproximadamente 14 mil pessoas para 3.475 hectares. Trata-se de uma área com alto índice de violência, cujas origens não estão relacionadas à cultura tradicional indígena, mas a ações do Estado brasileiro no processo de territorialização dos coletivos ali assentados. Refiro-me à sua responsabilidade na imposição de práticas de opressão e discriminação etnicorracial como forma de disciplinamento, exploração, subjugação, tentativas de assimilação por meio da aculturação etc.
Por estes e outros motivos, os problemas que atingem os povos indígenas em Mato Grosso do Sul ganham destaque nas redes sociais e na imprensa nacional e internacional. Ano após ano, ininterruptamente, dezenas de pessoas são mortas durante conflitos pela posse de terras indígenas e nada é feito de objetivo para evitar os massacres e solucionar o problema. Vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, prefeitos e governador, mandato após mandato, salvo honrosas excessões, simplificam o problema. Rechaçam o enfrentamento da questão fundiária, causa maior dos conflitos, e recorrem à estratégia de culpabilizar instituições alhures a eles pelo genocídio em andamento, especialmente contra os Guarani e Kaiowá: Supremo Tribunal Federal, governo federal, Ministério da Justiça, Presidência da República, Ministério Público Federal, Conselho Indigenista Missionário, associações científicas, universidades, forças alienígenas que desejariam se apoderar do aquífero Guarani etc. Utilizam-se de sofismas dos mais variados para distorcer a realidade e formar opinião pública contrária à regularização das terras indígenas (e quilombolas) no país. Buscam ainda criminalizar pessoas e instituições nacionais e internacionais ligadas à defesa dos direitos humanos. Amiúde afirmam que é a União, e mais ninguém, que pode solucionar os conflitos, desde que o faça a favor dos fazendeiros, os quais não raramente financiam suas campanhas eleitorais e projetos de poder.
A questão fundiária, por sua vez, é um antigo problema que remonta aos séculos XVIII, XIX e XX, quando teve origem a propriedade privada da terra na região. Com o final da guerra entre o Paraguai e a Tríplice Aliança (18641870), o antigo sul de Mato Grosso, atual Mato Grosso do Sul, passou a ser mais rapidamente colonizado por migrantes oriundos de várias partes do Brasil, além de pessoas vindas de além-mar e países vizinhos, tidos como os "pioneiros". A partir de então, o espaço regional passou a ser marcado pela violência armada, sobretudo quando comunidades indígenas tiveram seus territórios invadidos por fazendeiros e militares desmobilizados do exército imperial. Contudo, sem os povos originários, essa parte da bacia platina não estaria incorporada ao território nacional. Foi graças às alianças com os indígenas - verdadeiras muralhas do sertão, articuladas desde a segunda metade do século XVIII -, que Portugal estabeleceu sua hegemonia para além dos limites do Tratado de Tordesilhas, de 1494. No século XIX, quando o Brasil se tornou Estado nacional, as alianças permaneceram. Exemplo disso foi o protagonismo que os antepassados dos atuais Guató, Kadiwéu e Terena tiveram na defesa do território brasileiro durante o referido conflito bélico, haja vista que parte da então província esteve sob invasão de tropas paraguaias, entre fins de 1864 e parte de 1867.
Após a guerra, sobremaneira entre as décadas de 1870 e 1940, houve a expansão de frentes econômicas da sociedade nacional e, consequentemente, o aumento da titulação dolosa de territórios indígenas a favor de terceiros. Povos originários passaram a ter suas terras usurpadas e, via de regra, não tinham a quem recorrer na esfera governamental. Nesse contexto, foi ainda imposto aos Guarani, Kaiowá, Terena e outros indígenas uma forma perversa de exploração da força de trabalho, baseado no sistema do barracão, espécie de escravidão por dívidas. Nessa condição, trabalharam na derrubada da mata, criação de bovinos, produção comercial de erva-mate e outras atividades. Depois de formadas as propriedades rurais, muitas delas entre as décadas de 1950 e 1970, impulsionadas pela expansão do agronegócio no Brasil profundo, a mão de obra nativa foi dispensada de muitas fazendas.
No horizonte da constituição do Estado brasileiro e da formação da sociedade nacional, portanto, são registradas sucessivas tentativas de exploração, dominação e extermínio dos povos indígenas em Mato Grosso do Sul. Em síntese, à medida que ali se estabeleceram, fazendeiros incorporaram terras de ocupação tradicional ao seu patrimônio e fizeram fortunas com a exploração das áreas e da mão de obra nativa. À frente deles emergiu um grupo de proprietários de terra que, aproveitando-se da influência obtida nos governos municipais, estadual e federal, ganhou poderes sobre pessoas e coisas. Constituiu-se, assim, um establishment ruralista com grande influência no Estado brasileiro, inclusive dentro do movimento divisionista que culminou com a fundação da unidade federativa. O mesmo grupo está ligado ao agrobanditismo local: planeja e executa ações de grupos armados contra comunidades em situação de vulnerabilidade social, especialmente Guarani e Kaiowá. A seu favor está a certeza da impunidade, ratificada historicamente nos poderes da República, que estimula a promoção de crimes tipificados como genocídio.
Um dos resultados disso tudo tem sido o assassinato de centenas de pessoas nos últimos anos, ocorrido durante a retomada de terras indígenas: Marcos Veron, Kaiowá, 72 anos (Juti, 13/01/2003); Genivaldo Verá, 21 anos, e Rolindo Verá, 23 anos, ambos Guarani (Paranhos, 31/10/2009); Oziel Gabriel, Terena, 35 anos (Sidrolândia, 30/05/2013); Nísio Gomes, Kaiowá, 69 anos (Aral Moreira, 18/11/2011); Marinalva Manoel, Kaiowá, 27 anos (Dourados, 01/11/2014); Simeão Fernandes Vilhalba, Kaiowá, 24 anos (Antônio João, 29/08/2015); Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, Kaiowá, 26 anos (Caarapó, 14/06/2016). Somam-se à lista outros tantos homicídios, como o do Kaiowá Nelson Franco, em 1952, e do Guarani Marçal de Souza, no dia 25/11/1983, em Antônio João. O alvo principal dos pistoleiros, organizados ou não em milícias armadas, tem sido as lideranças indígenas.
A situação tende a piorar em decorrência dos recentes retrocessos políticos verificados no país e, consequentemente, do maior empoderamento de grupos que atentam contra os direitos fundamentais dos povos e comunidades tradicionais. Tais forças, cujas ideias ecoam no Palácio do Planalto, defendem a Proposta de Emenda Constitucional nº. 215/2000 e outras tentativas de ceifar direitos assegurados na Lei Maior. Neste cenário, Mato Grosso do Sul segue como o mais anti-indígena dos estados brasileiros e, anualmente, disputa a liderança na classificação dos lugares com o maior número de mortes de índios no país e no mundo, dentre outras formas de violência.
Referencia:
Jorge Eremites de Oliveira
Antropólogo social, arqueólogo e historiador; professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e bolsista produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
segunda-feira, 19 de novembro de 2018
VÍDEO-MONITORAMENTO NO PARQUE DAS NAÇÕES INDÍGENAS
Sistema de videomonitoramento garante cobertura total no Parque das Nações Indígenas
Categoria: Geral | Publicado: quinta-feira, agosto 9, 2018 as 13:58 | Voltar
Campo Grande (MS) – A ampliação e aprimoramento do sistema de videomonitoramento passa a garantir cobertura total do Parque das Nações Indígenas. Nove conjuntos de câmeras que filmam em ângulo de 360 graus já foram instaladas e pelo menos mais seis serão fixadas nos próximos dias em pontos estratégicos, afirma a diretora de Desenvolvimento do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), Thaís Caramori. As imagens são acompanhadas por um policial militar durante as 24 horas do dia e ficam gravadas para qualquer eventualidade, explicou o Capitão Pablo, comandante do 5º Batalhão que está sediado no Parque.
A melhoria no sistema de vigilância acompanha um investimento amplo que o governo do Estado faz no Parque das Nações Indígenas e compreende reforma completa dos seis núcleos básicos (que são conjuntos de banheiros, um quiosque e espaço administrativo), reforma e pintura de todo gradil e substituição das lâmpadas atuais por modelos de LED nas luminárias do setor de quadras esportivas e pista de Skate.
Com as obras de reforma estão sendo investidos R$ 946 mil e com a aquisição dos equipamentos e instalação do sistema de videomonitoramento, mais R$ 180 mil. O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar Jaime Verruck explicou que esses recursos são oriundos de compensação ambiental. “Grandes empresas precisam compensar o Estado pelos impactos causados por seus projetos e esses recursos são revertidos em benefício da população, como é o caso das melhorias no Parque das Nações Indígenas”.
As câmeras
O comandante do policiamento no Parque das Nações Indígenas explica que as câmeras foram instaladas nos três principais portões de acesso do público e em locais com maior fluxo de pessoas, como o entorno do lago principal, a concha e a praça e também nos núcleos de apoio básico que estarão disponíveis para uso da população. São seis núcleos, porém um é usado pela PM, outro pelos bombeiros e um terceiro pela administração do Parque. Os outros três ficarão à disposição dos frequentadores do parque após concluída a reforma. Nesses, sistemas de câmeras vão registrar toda a movimentação pelo local.
As câmeras instaladas no Parque das Nações Indígenas – da marca AXIS M3024-LVE – fornecem vídeo de qualidade excelente sob condições diurnas e noturnas, têm sistema rotativo que movimenta a lente automaticamente e oferecem possibilidade de zoom que aproxima a imagem com nitidez clara como se o objeto estivesse a poucos metros do observador. Ela funciona dia e noite pois aproveita a luz imperceptível das fontes de iluminação disponíveis para produzir imagens em preto e branco de boa qualidade. Ainda possibilita a vigilância mesmo em escuridão total, usando os duráveis LEDs IV (infravermelho) integrados de alta eficiência.
Além das câmeras, o sistema compreende uma TV com 56 polegadas, mesa operacional, no-break, torre estaiada, unidades de rádio amadores com central e HD para armazenamento das imagens, entre outros itens.
Reforma
A reforma nos Núcleos de Apoio Básico começaram no fim de dezembro; o primeiro já está praticamente concluído. Esse núcleo passou por reforma completa na parte de alvenaria, redes elétrica e hidráulica, ganhou revestimento cerâmico nas paredes dos banheiros e troca de piso, além de pias e vasos novos. Também foi construído um banheiro para portadores de necessidades especiais, além dos conjuntos masculino e feminino que já existiam. O telhado foi trocado, assim como portas, vidros e luminárias e as escadas que levam até o mirante sobre o bloco dos banheiros ganhou corrimões.
Cada Núcleo é composto por três blocos: um que abriga os banheiros, outro pode funcionar como uma cantina e o terceiro como depósito ou sala administrativa. O Parque das Nações Indígenas possui seis Núcleos de Apoio Básico que serão todos reformados. A previsão é de que até junho os trabalhos sejam concluídos.
ESTRUTURA DO PARQUE DAS NAÇÕES INDIGENAS
Estruturas do parque
13 de agosto - 2018
Estão inseridos no Parque das Nações Indígenas:
Clique aqui e acesse o mapa de localização
MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE MATO GROSSO DO SUL – MARCO
Marco
Telefone: 3326-7449
Site: http://www.fundacaodecultura.ms.gov.br/
Email: marco@fcms.ms.gov.br
Endereço: Antônio Maria Coelho, 6000 – Parque das Nações Indígenas
Horário de atendimento: De terça a sexta feira das 7h30 às 17h30. Sábados, domingos e feriados o horário permanecerá das 14h às 18h.
CONCHA ACÚSTICA HELENA MEIRELLES
Concha_Acústica
site:http://www.fundacaodecultura.ms.gov.br/
Telefone: 3314-2030 | 3314-2031
Email: conchaacusticahelenameirelles@yahoo.com.br
Endereço: Rua Antônio Maria Coelho, 6000 – Parque das Nações Indígenas
MUSEU DAS CULTURAS DOM BOSCO - MCDB
Av. Afonso Pena, 7000 - Parque das Nações Indígenas
Site: http://www.mcdb.org.br/
Campo Grande, MS - Brasil - Telefone: (55) 67 3326-9788
FUNDAÇÃO DE TURISMO DE MATO GROSSO DO SUL
Avenida Afonso Pena, 7000 • Parque das Nações Indígenas •
Portal Guarani • (67) 3318-7600
15º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR (15º BPMA)
Resultado de imagem para logo da polÃcia militar ambiental ms
Av. Mato Grosso s/n – Parque das Nações Indígenas
Sede do 15º BPMA
Telefone: 3357-1500
HISTÓRIA DO PARQUE DAS NAÇÕES INDÍGENAS
História
14 de agosto - 2018
O Parque das Nações Indígenas (PNI) está localizado na Região Urbana do Prosa, no munícipio de Campo Grande/MS. A criação do PNI ocorreu com a desapropriação pelo Governo do Estado de diversas chácaras e terrenos, localizados às margens dos córregos Prosa e Reveilleau, situados no perímetro urbano compreendido pelas avenidas Afonso Pena e Mato Grosso, e pelo córrego Sóter.
O Decreto Estadual no 7.082, de 26 de fevereiro de 1993 (CAMPO GRANDE, 1993), em seu Artigo 1°, declarou de utilidade pública, para fins de desapropriação amigável ou judicial, as áreas de terras localizadas na região leste do município destinadas à construção de um parque urbano, totalizando 116 ha, 3.876,98 m2, com os limites e confrontações especificados na planta e memorial descritivo, elaborados pela Secretaria de Estado de Obras Públicas de Mato Grosso do Sul. Por meio do Decreto Estadual no 7.354, de 17 de agosto de 1993, a área urbana de que trata o Decreto Estadual nº 7.082, de 1993, passou a ser denominada Parque das Nações Indígenas.
LAZER--PARQUE DAS NAÇÕES INDÍGENAS
Parque das Nações Indígenas -PNI
O Parque das Nações Indígenas (PNI), localizado no entorno do Parque Estadual do Prosa, na Avenida Afonso Pena, n°. 7000, é administrado pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL), entidade vinculada á Secretária de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (SEMAGRO) .
Para mais informações acesse o site do Parque das Nações Indígenas, clicando no link:
http://parquedasnacoesindigenas.ms.gov.br
Endereço para correspondência
R. Desembargador Leão Neto do Carmo,
Bloco III – Parque dos Poderes
Campo Grande – MS
CEP: 79.031-310
Horário de Atendimento
Segunda à Sexta-feira
das 07h30 às 17h
Telefone
(067) 3326-2254- Administrativo do PNI
(067) 3318-5676- Eventos e apoio administrativo do PNI
COMITÊS DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS, KADIWÉU.
Os Kadiwéu, conhecidos como "índios cavaleiros", por sua destreza na montaria, guardam em sua mitologia, na arte e em seus rituais o modo de ser de uma sociedade hierarquizada entre senhores e cativos. Guerreiros, lutaram pelo Brasil na Guerra do Paraguai, razão pela qual, como contam, tiveram suas terras reconhecidas.
A sociedade ancestral
Desenho: J. B. Debret, 1834
Desenho: J. B. Debret, 1834
Também conhecidos como "índios cavaleiros", integrantes da única "horda" sobrevivente dos Mbayá, um ramo dos Guaikurú, guardam a lembrança de um glorioso passado. Organizados numa sociedade que tinha num extremo os nobres e no outro os cativos, viveram do saque e do tributo sobre seus vizinhos, dos quais faziam depender sua própria reprodução biológica, uma vez que suas mulheres não geravam filhos ou permitiam a sobrevivência de apenas um, quando já estavam no final de seu período fértil. Estas mulheres dedicavam-se à pintura corporal e facial, cuja especial disposição dos elementos geométricos Lévi-Strauss considerou como característica das sociedades hierárquicas. Desenhos que impressionam pela riqueza de suas formas e detalhes, a que temos fácil acesso através da vasta coleção recolhida por Darcy Ribeiro, reproduzida no livro que publicou sobre os Kadiwéu.
Os capturados em guerra no passado, preferencialmente crianças e mulheres, eram incluídas nesta sociedade sob uma categoria específica, a de "cativos", ou gootagi (nossos cativos), no dizer Kadiwéu. Os Guaikurú-Mbayá fizeram cativos de diversos outros povos indígenas, sobretudo aos Xamakôko, habitantes de território paraguaio, sua mais importante fonte. Também fizeram cativos aos brancos, portugueses ou espanhóis, brasileiros ou paraguaios, conforme registrou a crônica histórica e a memória Kadiwéu.
Foto: Museu do Índio, 1948
Foto: Museu do Índio, 1948
Os Mbayá mantiveram ainda uma outra qualidade de relação, aquela que estabeleceram com os Terena (um subgrupo dos então chamados Guaná ou Txané), sociedade também dividida em estratos. Consentiam o casamento entre seus nobres e as mulheres de alta estirpe Terena, adquirindo, por meio deste, o direito sobre as prestações de serviço, sobretudo produtos agrícolas, advindos da produção deste último povo.
Na Guerra do Paraguai, escolheram lutar pelo Brasil, razão pela qual tiveram suas terras reconhecidas, embora até hoje não estejam inteiramente garantidas. A adoção de um vestuário "country" pelos homens Kadiwéu da atualidade revela seu apego a um modo de vida apoiado no uso e criação de cavalos, de que ainda mantêm rebanhos, embora bem menores que os do passado.
Língua
Ceramista kadiwéu. Foto: Mônica Pechincha, 1992
Ceramista kadiwéu. Foto: Mônica Pechincha, 1992
Os Kadiwéu pertencem à família lingüística Guaikurú, na qual se incluem outros povos do Chaco, que são os Toba (Paraguai e Argentina), os Emók, ou Toba-Mirí (Paraguai), os Mocoví (Argentina), os Abipón (extintos) e os Payaguá (extintos). Dentre estes grupos Guaikurú, os Kadiwéu são os mais setentrionais e o único localizado a leste do rio Paraguai, no Brasil. Alguns velhos, mulheres e sobretudo as crianças falam apenas o Kadiwéu. Um bom número dentre os Kadiwéu, contudo, se comunica com facilidade em português. Há, na língua Kadiwéu, muitas diferenças entre as falas masculina e feminina. É interessante notar que os descendentes de Terena que vivem entre os Kadiwéu usam apenas o português para se comunicar na aldeia (não usam a língua Terena nem entre si). Entretanto, mesmo que não falem, entendem perfeitamente o Kadiwéu, pois é nesta última língua que são interpelados.
Localização
Os espanhóis colonizadores chamaram de Mbayá (termo provavelmente de origem Tupi) aos Guaikurú (nome também de origem Tupi) dos quais descendem os Kadiwéu. Com origem no lado ocidental do rio Paraguai, parte dos Mbayá atravessou, no século XVII, para a banda oriental. Com a pressão das frentes colonizadoras, deslocaram-se mais para o norte e os que ainda não tinham migrado para leste do rio o fizeram no final do século XVIII. Nessa época, o seu território estendia-se das serras que separam os rios Paraná e Paraguai até mais além da latitude de 18° sul.
Os Mbayá dividiam-se em diversas hordas, cada uma com um nome específico que se associava a acidentes naturais dos locais que habitavam. Uma delas, a dos Cadiguegodis, tinha, no século XVIII, o seu território banhado por um riacho que os índios chamavam de Cadigugi. Tudo indica que esta última horda seja a dos ancestrais dos Kadiwéu atuais. A horda dos Kadiwéu foi a última a migrar para o lado oriental do rio Paraguai, e era a única sobrevivente já na segunda metade do século XIX.
Os Kadiwéu, que a literatura histórica uma vez chamou de "os índios cavaleiros", por sua condição de possuidores de um vasto rebanho eqüino e sua admirável destreza na montaria, vivem hoje em território localizado no Estado do Mato Grosso do Sul, em terras em parte incidentes no Pantanal matogrossense. O seu território tem como limites naturais a oeste os rios Paraguai e Nabileque, a leste a Serra da Bodoquena, ao norte o rio Naitaca e ao sul o rio Aquidaban. Dentro deste território, a população Kadiwéu se divide entre quatro aldeias. A aldeia maior, Bodoquena, localiza-se no nordeste da Terra Indígena, ao pé da Serra da Bodoquena, vizinha à aldeia Campina, que fica já no alto daquela serra. A aldeia Tomázia localiza-se no sul da Terra Indígena. Também no sul encontra-se a aldeia São João. Habitam esta última aldeia principalmente índios Terêna e remanescentes de Kinikináo. Algumas famílias Kadiwéu vivem ainda em pequenos grupos, em localidades no interior da Terra Indígena mais afastadas das aldeias principais, onde criam pequeno gado.
A Terra Indígena Kadiwéu está no município de Porto Murtinho. Bodoquena é a cidade mais próxima da aldeia maior (60 km), seguida de Miranda e Aquidauana. Campo Grande (310 km) é o centro urbano de maior importância estratégico-administrativa para os Kadiwéu. Ali está sediada a administração da FUNAI que os jurisdiciona, a associação dos fazendeiros arrendatários (ACRIVAN - Associação dos Criadores do Vale do Aquidaban e Nabileque) e a ACIRK (Associação das Comunidades Indígenas da Reserva Kadiwéu).
Demografia
Os dados da Funai apontam como sendo, em 1999, de 1.041 o total da população Kadiwéu sob a jurisdição do Posto Indígena Bodoquena (que abrange as aldeias Bodoquena e Campina), sediado na aldeia de mesmo nome. A população referente ao Posto Indígena São João, que abrange as aldeias São João e Tomázia, seria de 551, segundo a mesma fonte e data. Cabe notar que, como já foi aludido acima, na aldeia São João vivem principalmente índios Terena e Kinikináo. Por conseguinte, a população total de 1.592 em 1999 corresponde aos índios destas três etnias que habitam a Terra Indígena Kadiwéu e inclui também os Kadiwéu que moram fora dela, de proveniência daquelas aldeias.
Não contávamos, até essa data, com outro censo atual da população Kadiwéu que não este da FUNAI, que, entretanto, não relacionava em separado as etnias habitantes do Posto Indígena São João, o que impossibilitava o cálculo total da população Kadiwéu. Segundo dados da Funasa mais atuais, em 2006 os Kadiwéu somavam 1.629 pessoas. Em 1992, época da pesquisa de Mônica Thereza Pechincha, viviam 633 Kadiwéu na aldeia Bodoquena, 39 na aldeia Campina, 60 na aldeia Tomázia e 67 em outras localidades no interior da Terra Indígena, além da aldeia São João, que, na época, contava com 170 habitantes. Para fins de observação do crescimento demográfico, apresento ainda dados de 1995, recolhidos na Administração Regional de Campo Grande, da FUNAI, que indicam como sendo 951 o número da população do Posto Indígena Bodoquena, e 388 o do Posto Indígena São João.
Histórico do contato
A primeira notícia que se tem dos Guaikurú data do século XVI, proveniente de uma expedição européia que adentrou a região chaquenha à procura de metais preciosos no interior do continente. Muitos grupos Mbayá estiveram sob a influência de reduções missionárias a partir do século XVIII. No mesmo século e no início do seguinte, o contato com as frentes colonizadoras se intensificou com o estabelecimento de fortes militares estabelecidos pelo curso do rio Paraguai, seja de portugueses ou espanhóis, que se debatiam pela definição de fronteiras. As cidades fundadas na região fizeram parte do cenário de sua história, muitas vezes de conflito. Ou de acordo, como o celebrado em 1779 entre os Mbayá e os espanhóis, e o firmado em 1791, com os portugueses.
Um marco de peso na história do contato com a sociedade nacional, recordado com orgulho e insistência, foi a participação dos Kadiwéu na Guerra do Paraguai. Esta participação rendeu o seu registro em inúmeras narrativas históricas que lembram detalhes do evento e um desempenho heróico guardado com cuidado. Contam os Kadiwéu sua fundamental participação naquela guerra, quando lutaram em favor dos brasileiros e ganharam como recompensa o território que habitavam e onde até hoje habitam. É aí que buscam o argumento mais eficaz de sua posse incontestável, mas sempre ameaçada.
A Terra Indígena Kadiwéu esteve sujeita a um primeiro reconhecimento oficial no início do século, por ato do Governo do Estado do Mato Grosso. Houve demarcação em 1900 e expedição de decreto em 1903, que já estabelecia como limites naturais os mesmos atuais acima mencionados. Em 9 de abril de 1931, o decreto n° 54 ratificou estes limites. Mas os problemas fundiários foram uma constante em sua história e os Kadiwéu não apagaram de sua memória as tentativas de invasão e conflitos ocorridos desde o início do século. Mais recentemente, a demarcação de suas terras, concluída em 1981, cercou-se de muita tensão com invasores e deixou inclusive de fora de seu perímetro uma aldeia Kadiwéu de nome Xatelôdo, localizada na serra da Bodoquena. Em 1983 eram em número de 1.868 os posseiros que ocupavam aquela Terra Indígena. Os conflitos gerados, notadamente nos anos de 1982 e 1983, foram amplamente divulgados pela imprensa.
Esta história marcou-se também por inevitáveis conflitos com fazendeiros arrendatários. Os pecuaristas começaram a adentrar o território Kadiwéu há quase cinco décadas, havendo notícias de que o primeiro o teria feito em 1952. Desde o final da década de 50 começaram, de outra forma, a ocupar este território com autorização oficial do Serviço de Proteção ao Índio (SPI, órgão que antecedeu a atual FUNAI). Em 1961, já haviam sido efetivados 61 contratos individuais com arrendatários. Esta ocupação alterou significativamente a utilização pelos índios de seu território. No início da década de 90, eram 89 as fazendas arrendadas no interior da Terra Kadiwéu, as quais se estendiam pelo território quase que na sua inteireza, de forma a ficarem os índios espremidos nas suas aldeias.
Organização social e política
No passado, as hordas Mbayá se dividiam em "tolderias". A tolderia, onde havia uma casa coletiva, era a menor unidade política e econômica, que reunia a parentela de um "capitão" e os seus cativos. As famílias de "capitães" compunham-se dos Mbayá de nascimento, que hoje são recordados como famílias de Kadiwéu "puros", conforme a elas se referem, ou os goniwtagodepodi ejiwajigi ("nossos senhores Kadiwéu"), sendo ejiwajigi a sua auto-denominação. Goniwtagodi, ou goniwaagodi, conforme as falas masculina e feminina, respectivamente (há distinção lingüística entre as duas), é um termo de tratamento que os Kadiwéu usam para qualquer pessoa do sexo masculino, inclusive estrangeiros. As mulheres, da mesma maneira, são interpeladas pelos termos goniwtagodo (na fala masculina) ou goniwaagodo (na fala feminina). Também abordam as crianças por estes termos, que traduzem como senhor e senhora (goniwtagodi = nosso senhor, iniwtagodi = meu senhor).
Os capitães eram todos os descendentes de capitães, em qualquer linha ou grau, inclusive os de sexo feminino (as "capitãs"). Uma vez que o núcleo de Kadiwéu "puros" era diminuto em virtude da baixa natalidade, certamente alguns cativos a ele deveriam se incorporar, possivelmente via casamento, que não era o preferencial. Pois os Kadiwéu afirmam que os senhores não se casavam, antes, com os seus cativos, regra hoje não verificável. Ainda permanece naquela sociedade a distinção hierárquica entre aqueles que se consideram Kadiwéu "puros" e os descendentes de cativos. Atualmente apenas duas famílias reivindicam o status de senhores na aldeia Bodoquena. Ambas disputam a hegemonia política no grupo. A relação de "cativeiro" se faz notar melhor nas práticas rituais. Por exemplo, quando há alguma atividade em que rapazes e moças participam pela primeira vez, precisam ser representados naquele momento por um cativo seu. De forma geral, no que diz respeito às atividades cotidianas, as famílias, qualquer uma delas, desenvolvem-nas de forma autônoma e enquanto unidade.
Em 1992, os Kadiwéu da aldeia Bodoquena se distribuíam entre 110 casas, que abrigam mais freqüentemente famílias nucleares, dispostas em geral por grupos de parentes e obedecendo preferencialmente uma regra matrilocal. São muito freqüentes os casamentos com os Terena. Nessa época, apenas na aldeia Bodoquena, em 28 famílias nucleares um dos cônjuges era Terena. Isto sem mencionar os que têm ancestrais desta última etnia.
As decisões políticas e de interesse geral do grupo estão fortemente centralizadas na figura do capitão e seus assessores. O direito de chefia é hereditário. Hoje, tal direito é reconhecido como "naturalmente" pertencente ao bisneto primogênito do Capitãozinho, um venerável líder do passado. Contudo, as regras se flexibilizaram no sentido do sufrágio, no que diz respeito à chefia. Os capitães, termo com que se referem ao chefe ou "cacique", atualmente são escolhidos dentro do grupo e, no transcurso da sua história recente, vários capitães se sucederam em curtos períodos. Estes nem sempre pertencem a "famílias de capitães" e, quando não pertencem, sua posição política não altera seu status social. O capitão é assessorado por um conselho, composto sobretudo por homens mais velhos e experientes. Cabe notar, entretanto, que é igualmente forte o papel político de líderes jovens, que alcançaram prestígio sobretudo devido ao seu grau de instrução (alguns deles possuem até o 2° grau escolar) e seu domínio da língua portuguesa, muito útil nas negociações externas.
Arte
Foto: Claude Lévi-Strauss, 1935
Foto: Claude Lévi-Strauss, 1935
Os finos desenhos corporais realizados pelos Kadiwéu constituem-se em uma forma notável da expressão de sua arte. Hábeis desenhistas estampam rostos com desenhos minuciosos e simétricos, traçados com a tinta obtida da mistura de suco de jenipapo com pó de carvão, aplicada com uma fina lasca de madeira ou taquara. No passado, a pintura corporal marcava a diferença entre nobres, guerreiros e cativos.
As mulheres Kadiwéu produzem, igualmente, belas peças de cerâmica: vasos de diversos tamanho e formato, pratos também de diversos tamanhos e profundidade, animais, enfeites de parede, entre outras peças criativas. Decoram-nas com padrões que lhes são distintos, que segue a um repertório rico, mas fixo, de formas preenchidas com variadas cores. A matéria-prima de seu trabalho encontram-na em barreiros especiais, que contêm o barro da consistência e tonalidade ideais para a cerâmica durável. Os pigmentos para sua pintura são conseguidos de areias dos mais variados tons, alguns dos detalhes sendo envernizados com a resina do pau-santo.
Podemos também ver a arte Kadiwéu expressa nos cânticos das mulheres velhas, nas músicas dos tocadores de flauta e tambor, e nas danças coletivas.
Narrativas
Desenhos publicados em VIDAL, Lux (org.). Grafismo Indígena. Studio Nobel, Fapesp, Edusp, SP, 1992
Desenhos publicados em VIDAL, Lux (org.). Grafismo Indígena. Studio Nobel, Fapesp, Edusp, SP, 1992
A sociedade Kadiwéu teve na guerra de captura o fundamento de sua organização. A memória da guerra é bastante presente e acionada sempre nos discursos de auto-definição, bem como fonte de recursos a serem usados na sua relação atual com a sociedade nacional. O ideal do guerreiro é fonte de valores que ainda norteiam as suas práticas. Vários mitos Kadiwéu fazem menção aos Godapoagenigi, aqueles guerreiros que se sobressaíam por sua coragem e força física. Dentre as narrativas que ouvi de seu rico repertório, os Kadiwéu distinguem pelo menos duas classes. A uma delas chamam de "histórias de admirar", ou "histórias que fazem milagres", "histórias sagradas", mais próximas da categoria de mitos propriamente ditos. Outra classe seria a das "histórias que aconteceram mesmo", que se apresentam como "descrição histórica" de eventos tais como as guerras do passado.
É nas "histórias de admirar" que os Kadiwéu vão buscar seus nomes pessoais -chamei-as "mitos de nominação". Muitos destes mitos são de propriedade de famílias de capitães, e os nomes pessoais que deles advêm podem ser usados por seus descendentes e cativos. Em muitas destas histórias, os protagonistas são ancestrais mitológicos de famílias de capitães.
Algumas outras contam também com personagens míticos ancestrais de cativos, cujos descendentes lhes usam os nomes. Nestes mitos estão contidos ensinamentos, conselhos e prescrições. Cada um vem a explicar e a prescrever um costume: o ato da guerra de captura de crianças, a iniciação feminina, o uso da bebida feita do mel, determinados remédios, tabus alimentares. O mito de criação, também incluído nesta categoria, fala do início da sociedade Kadiwéu e daquilo que a distingue das demais sociedades com que mantêm ou mantiveram contato, tecendo comentários sobre as mesmas e sobre esta relação.
Ritos
Bobos, ritual do navio. Foto: Mônica Pechincha, 1992
Bobos, ritual do navio. Foto: Mônica Pechincha, 1992
O indivíduo Kadiwéu recebe um nome por ocasião de seu nascimento e quando da morte de um parente. Durante os ritos funerários, os parentes do morto têm seus cabelos cortados. Aquele que corta o cabelo em sinal de luto é chamado okojege. As mulheres velhas, conhecedoras destes ritos, se reúnem durante o funeral para decidir o nome mais adequado para o enlutado. Quando se perde um parente próximo é também possível adotar alguma outra pessoa (independentemente da idade, do sexo e do grau ou mesmo da existência de parentesco) para preencher a falta do morto. Um parente adotado nestas circunstâncias é chamado godokogenigi. A este também se dá um novo nome e se lhe corta os cabelos. Há ainda uma outra forma de se estabelecer um parentesco "de consideração". É através da relação entre imedi (ou imeeti, no caso das mulheres, palavra traduzida como "amigo/a"). Duas famílias podem acertar fazer imedi um filho de cada uma, os quais estabeleceriam entre si uma relação de irmãos e as atitudes que lhes são peculiares. Os descendentes de dois imedi seriam imedi entre si.
Além de ritos funerários, praticam também o que chamam de "Festa da Moça". Ritual de iniciação feminina, submete a menina que passa pela menarca a uma reclusão de dois dias e a uma dieta rigorosa. Não pode pisar o chão e nem olhar para animais. No clímax do ritual, esta menina é "abanada" com um pano vermelho bordado com miçangas e penduricalhos nas pontas (o "abanico", wajuide) e, deitada de bruços, será pressionada na altura dos rins por uma mulher da aldeia cuidadosamente escolhida por seus familiares, pois suas características serão assimiladas pela menina.
O Navio, ou Etogo, é o ritual que os Kadiwéu consideram a expressão mais visível de sua alteridade, pois, como dizem, é o que melhor mostra que eles são "índios mesmo". Realizado em 1992, havia pelo menos cinqüenta anos que não vinha sendo encenado e não voltou a ser repetido após essa data. A motivação imediata para a sua realização foi a necessidade de mostrar a brancos, seus convidados, o ritual mais expressivo de sua identidade.
O Navio é um longo ritual. Faz referência à Guerra do Paraguai, notada, entre outros aspectos, pela afixação, a cada lado da entrada do navio de tabocas que construíram para ser o espaço ritual, de bandeiras estilizadas do Brasil e do Paraguai. O Navio mimetiza um navio de guerra, tal como os que os Kadiwéu dizem ter visto, no passado, a percorrer o rio Paraguai.
O chefe do Navio é o personagem chamado Maxiotagi, ou o "Macho". Maxiotagi é um personagem Xamakôko (embora o ator seja Kadiwéu), da etnia que foi a principal fonte de cativos no passado. A sua função no ritual é ditar as ordens que condicionam as cenas do seu desenvolvimento.
Maxiotagi, que é cego, tem seus companheiros, Ligecoge, "os Olhos do Macho", e Lionigawanigi (Pequeno), que o auxiliam em suas atividades. Estes personagens se adornam com paramentos engraçados. No Navio também há o Delegado, o Sargento (Jajentege), os cabos e os escrivães (Nidikuna). E também Ixotece Gonibedona Gonibegi, ou "Dedo-no-Cu", que se encarrega da "ronda". A regra máxima no Navio é não poder rir, sob pena de ser preso e/ou pagar uma "fiança", cobrada, geralmente, em forma de gado a ser abatido na hora, abastecendo o churrasco coletivo dos vários dias deste ritual.
No período ritual, a rotina da aldeia é totalmente modificada e todos se comportam como se estivessem sob voz de comando, só agindo conforme as ordens do chefe. Durante o Navio, todos os homens da aldeia são chamados de "soldados" e todas as mulheres, de paraguaias (gaxianaxe), e representam presas de guerra. Há também um papel particular para as mulheres velhas, que são no grupo quem guarda os cânticos sagrados. Essas mulheres, conhecedoras únicas da linguagem dos cânticos, que os jovens não sabem traduzir, cantam à maneira de repente sempre que um acontecimento importante advém ao grupo. Os seus cânticos recordam fatos históricos e guardam a memória dos capitães e seus grandes feitos, além de comentar, com base em sua história e cosmologia, os fatos atuais. As mulheres velhas cantam (ou "rezam") no Navio para livrar os presos.
O momento ritual é preenchido também por danças masculinas (nabacenaganaga, ou "bate-pau") e femininas, pela música entoada por seus instrumentos típicos, a flauta (natena) e o tambor (goge), por brincadeiras e jogos (sobretudo os que demonstram o desempenho físico dos homens, lembrando os godapoagenigi), e pela apresentação dos "bobos" (bobotegi). Estes são personagens que não figuram só no Navio. Apresentam-se mascarados, o corpo também dissimulado, irreconhecíveis, dançando suas "polcas" específicas, assustando as crianças a quem pedem prendas.
Há também um Padre no Navio, que batiza como os padres dos cristãos e simula ritos de cura, como o do nijienigi (o xamã Kadiwéu). O nijienigi é capaz de prever, com a ajuda das entidades espirituais que o guiam, os acontecimentos vindouros. Por isso, no passado seu papel foi fundamental nas estratégias guerreiras. Os nijienigi também curam e na aldeia ainda são chamados a intervir em casos de doenças.
Nota sobre as fontes
A mais importante referência histórica sobre os Kadiwéu (ou os Guaikurú-Mbayá) encontra-se na obra do Pe. José Sanchez-Labrador intitulada El Paraguay Católico, considerada uma das melhores etnografias escritas no século XVIII. Vários cronistas no século XIX registraram, com mais ou menos detalhes, as suas impressões sobre estes índios, sua localização, modo de vida e relações com os colonizadores. Dentre eles, destacam-se Ricardo Franco de Almeida Serra, Francisco Rodrigues do Prado, Alexandre Rodrigues Ferreira, Francis Castelnau, Alfred d'Escragnole Taunay (que narrou episódios da participação indígena na Guerra do Paraguai) e, notadamente, Guido Boggiani. Este último autor viveu alguns meses entre os Kadiwéu no final do século passado e nos legou, entre outros escritos, o seu rico diário de campo referente àquela visita, publicado com o nome de Os Caduveos.
Boggiani recolheu um vasto material representativo da arte e artefatos Kadiwéu, cuja mais significativa coleção encontra-se hoje conservada pelo museu "Luigi Pigorini", em Roma. Pode-se obter igualmente informações históricas em relatórios de Presidentes da Província do Mato Grosso guardados pelo Arquivo Nacional. Quanto a trabalhos antropológicos propriamente ditos, Alfred Métraux nos oferece estudos etnológicos sobre os índios do Grã Chaco, sobretudo no que tange à religião. Claude Lévi-Strauss esteve entre os Kadiwéu em 1937 e escreveu sobre sua arte.
Darcy Ribeiro procedeu pesquisa de campo entre os Kadiwéu no final da década de 1940 e seus trabalhos mais importantes sobre os mesmos estão reunidos no volume Kadiwéu: Ensaios Etnológicos sobre o Saber, o Azar e a Beleza que, como já indica o título, trata de mitologia, xamanismo e arte. Escreveu também um artigo sobre "O sistema familial Kadiwéu" (1948). Mais recentemente foram defendidas duas teses de mestrado: a de Jaime Siqueira Jr. (USP, 1993), que trata da construção do tempo e espaço Kadiwéu; e a de Mônica Thereza Pechincha, intitulada Histórias de Admirar: Mito, Rito e História Kadiwéu (UnB, 1994). A língua Kadiwéu foi estudada por Silvia L.B. Braggio (1981). Quanto a relatórios técnicos, cabe mencionar os produzidos por Alain Moreau, que há vários anos freqüenta e acompanha a sociedade Kadiwéu e tem lhe prestado, mediante iniciativa pessoal, valiosa assessoria jurídica, sobretudo na condução do processo de substituição do regime de arrendamento.
Fontes de informação
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TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS, TERENA.
TERENA
Autodenominação: Terena.
Outros Nomes: Tereno, Eteiena, Txane.
População: 19.961 (DAI/AMTB); 24.776 (FUNASA 2009).
Localização: Vivem em 16 Terras Indígenas:
Terra Indígena Água Limpa (MS): 69;
T. I. Limão Verde (Aquidauana MS): 1.335;
T. I. Taunay/Ipegue (Aquidauana MS): 4.090;
T. I. Aldeinha (Anastácio MS): 356;
T. I. Araribá (Avai SP): 527;
T. I. Buritizinho (Sidrolândia MS): 668;
R. I. Dourados (Dourado MS): 11.800;
T. I. Icatu (Braúna SP): 155;
T. I. Kadiwéu (Corumbá e Porto Murtinho MS):1.629;
T. I. Lalima (Miranda MS): 1.374;
T. I. Nioaque (MS): 1.429;
T. I. Pilade Rebuá (Miranda MS): 2.104;
T. I. Umutina (Barra do Bugres MT): 367;
R. I. Nossa Senhora de Fátima (Miranda MS): população não indicada;
T. I. Terena Gleba Iriri (Matupá MT): 680;
T. I. Cachoeirinha (Aquidauana e Miranda MS): 4.920;
T. I. Buriti (Dois Irmãos do Buriti e Sidrolândia MS): 2.543.
Os Terena são possuidores de doze pequenas reservas de terra, que somam um total de 19.017 hectares, onde reside uma população aldeada de 13.643 pessoas. Conforme um censo realizado pela prefeitura de Campo Grande há na periferia de Campo Grande 820 famílias de índios não aldeados em1999.
Língua: Terena: Uma das 59 línguas Aruak (Arawak): Maipuran sulista- do grupo boliviano-paraná. Falado por 15.000, alfabetos 20%, alfabetos em português 80% Existem dicionário e gramática. O Novo Testamento foi publicado em 1994 (SIL). A última pessoa para falar a língua Guaná morreu em 2006, mas alguns jovens têm interesse em reviver a língua. O uso da língua Terena vareia entre as Terras Indígenas e a maioria tem orgulho em dominar o contato com a sociedade nacional, que favorece o uso do português.
História: O Chaco Boreal forma a maior parte do território do Paraguai e estende até o Pantanal no Mato Grosso do Sul, e forma uma região do Gran Chaco de mais de 600.000 km. quadrados. Mais de vinte povos indígenas viviam na área. Entre eles eram os Guaná, um povo agricultor e mais pacífico do que seus vizinhos, os Guaikurú. As suas aldeias eram grandes de 30 a 40 casas, cada casa com 20 a 30 pessoas, as famílias de irmãos e a população era acerca de mil. A aldeia estava situada no meio de um território extenso de roças. A sociedade era estratificada em classes, 'nobres', 'guerreiros' e 'alheos' (cativos e escravos) (Ladeira e Azanha 2004). Os Guaná gostavam de música. Sua população cresceu mais do que os outros.
Os Guaikurú eram nômades e ganharam cavalos dos espanhóis e guerrearam contra todos. Desceram nas aldeias dos Guaná e os tratavam como escravos, pois não gostavam de trabalho manual. Depois muitos ataques contra os portugueses e espanhóis, os Guaikurú, acompanhados de escravos Guaná, iniciaram a paz em 1791 com os portugueses, mas temeram a vingança dos espanhóis. Por isso 400 Guaikurú e 600 Guaná viajavam para o norte e pediram o governador do Mato Grosso que pudessem ficar nas terras entre Cuiabá e Albuquerque (Hemming 1995.120-123). Uma nova fortaleza portuguesa no rio Miranda protegeu estes índios de uma ataque dos espanhóis. Um grupo de Guaná formaram parte de uma expedição com os Bororo em 1829 (Hemming 1995.199).
Quando chegaram no Mato Grosso ainda eram guerreiros, atacando outros povos para ganharem escravos. No médio do século XIX, os Guaimuré no Mato Grosso dividiram, alguns continuaram ser nômades, levando todos seus pertences nos cavalhos e atacando os indígenas no outro lado do rio Paraguai. Os outros formaram os Kadiwéu. Os Guaná formaram os Kinikinao e os Terena (Hemming 1995.420). Eram um povo trabalhador com boas relações com os colonos, cultivando plantações de milho, mandioca, cana, algodão, aipo e tabaco. As suas mulheres fabricaram cobertores e redes de algodão. Os homens fizeram cintos, selas e também pescaram. Estabeleceram um comercio vendendo estes produtos nas cidades, inclusive Cuiabá. Todos aprenderam falar português e professaram o catolicismo,sob a influencia da missão dos Capuchinhos. A aldeia Terena tinha 110 casas e uma população de 2.000 e com mais 1.000 em outros assentimentos (Hemming 1995.421).
Os indígenas sofreram durante a Guerra do Paraguai, primeiro pela invasão do Mato Grosso pelos paraguaianos em 1864, que os espalharam e depois da guerra em 1870 quando a colonização de brasileiros aumentou dos vales dos rios Miranda e Aquidauana. O resultado era que os Terena perderam suas terras e caíram na escravidão de dívida quando trabalharam nas novas fazendas estabelecidas nos vales. A policia da nova República apoiou os patrões neste sistema. Os Terena chamam a época 'o tempo de servidão'. Em 1903 chegou o então Tenente Cândido Rondon; ele, indignado pela situação dos Terena, reorganizou as aldeias de Bananal e Ipegue e suas terras contra as invasões dos fazendeiros. Ele deu garantias para os índios voltassem para as suas aldeias e viver conforme suas tradições. Esta proteção por Rondon contribuiu para a sobrevivência do povo Terena (Hemming 1995.426).
Durante a Segunda Guerra Mundial os Estados Unidos, com falso optimismo, encararam a Amazônia como uma fonte alternativa de recursos para substituir as outras negadas pelas hostilidades. Em 1941 um inventário dado ao governo norte-americano exagerou dos recursos. Porém um relatório feito pelos americanos falou da decadência da região e respondeu que os brancos precisam de ser civilizados primeiro antes dos índios, dos vícios de embriaguez e promiscuidade (Hemming 2003.261). Mas em 1953, Nelson Rockefeller comprou 50% de uma fazenda no território dos Kadiwéu e Terena no sul do Mato Grosso e não na Amazônia. Era coincidência que Dale Kietzman da SIL começou o estudo da língua Terena em 1956, pelo convite de Darcy Ribeiro, e também fundar um departimento linguístico da Universidade de Brasília. Os dois teriam muita influencia sobre o futuro da Amazônia e dos índios (Hemming 2003.261).
Na década 60 os Kadiwéu receberam o auxilio de missionários protestantes na educação e atendimento de saúde, mas os Terena prosperam e ficaram mais aculturados. A aldeia Bananal foi alcançada primeiro pelos missionários evangélicos da Igreja da Escócia Livre em 1913, e eles protestaram contra as invasões dos fazendeiros, apoiado pelo SPI em 1933 (Veja em baixo). Ribeiro e Kietzman observaram que a mensagem da minoria protestante atraiu os índios porque o Catolicismo era identificado com todas as maldades do contato com a maioria dos brasileiros (Hemming 2003.446). As terras reservadas para os Terena eram pequenas mas suficiente para cada família cultivar sua roça e criar dez ou cinze cabeças de gado, enquanto o território dos Kadiwéu foi reduzido a uma fração de uma terra maior, pela exploração dos fazendeiros e 10.000 posseiros, apoiados pelos funcionários da FUNAI. Só nos anos 80 a FUNAI começou a corrigir a situação, provocado por uma incitativa armada da parte dos índios (Hemming 2003.447).
Estilo da Vida: O terreno era dividido em lotes de 45m por 45 m. para um homem construir sua casa e cultivar um jardim. Outras parcelas podem ser cultivadas fora da aldeia. Os missionários ensinaram os indígenas usar roupa dos brancos, usar ferramenta moderna e falar e ler português. O SPI ensinou a construção de casas regionais, cultivar arroz, etc. e aprender outros ofícios como pedreiro, ferreiro, e a costeira. Muitos Terena trabalharam nas plantações de cana com contratos de 70 a 90 dias ou na estrada de ferro ou comerciar seus produto como farinha de mandioca, cana e redes de algodão. Outros são 'contratados' trabalhar nas usinas de açúcar e álcool, um processo chamado na região 'changa'. Estes trabalhadores estão organizados em turma sob um 'cabeçante', que resulta em abuso de poder.
Mas a horticultura continua a ser a base da economia, com plantios de mandioca, feijão, milho, cana, arroz, bananas, laranjas, abóbora, melancia, batata-doce e maxixe. A criação de gado e cavalos é importante, e os Terena trabalham nas fazendas como peões. Os Terena plantam porque está no sangue, mas as roças são pequenas e a renda não dar par sustentar as famílias mas em cada família existe uma pessoas que recebe uma aposentaria. Alguns ainda caçam, pescam e coletam da terras nos cerrados e floresta ciliar. Nos anos 50 indivíduos Terena passaram a viver nas cidades e hoje uns 2.000 moram em Campo Grande e um número menor em Aquidauana e Dourados (Ladeira e Azanha 2008). Muitos procuram trabalho nas cidades, ou produzam cerâmicas para o comercio.
Sociedade: Os Terena chamam suas aldeias 'setores' e são autônimas, cada uma tem um cacique ou um conselho. A eleição dos caciques locais é administrada pelo cacique geral em T. I. Cachoeirinha ao lado do Posto da FUNAI. Assuntos que influenciam todos os setores são debatidos em uma reunião em Cachoeirinha. Nesta Reserva 27% vivem da renda de serviço fora da reserva e mais 55% trabalham fora quando há oportunidade (Ladeira e Azanha 2004). No chaco as aldeias eram dividas por metades, os 'mansos' e os 'bravos', cada tendo sua chefe. Nas cerimonias os 'bravos' fez brincadeiras nos 'mansos'. Quando eles mudaram para o Brasil, o SPI escolheu apenas um chefe ou capitão para cada aldeia, que contrariou a organização antiga de metades, e o sistema de parentela perdeu sua importância e os termos portugueses para os parentes são usados (Oberg 2009).
A maioria das casas abrigam famílias estendidas, pai e mai com seus filhos casados e solteiros. O costume de residencia é patrilocal. Mas depois o novo casal tem filhos ele podem construir sua própria casa perto da casa do pai do marido. Entretanto há muitos casos de casais uxorilocais e a sociedade não exige dote ou outros requerimentos do marido. As divisões religiosas têm modificado este sistema.
Artesanato:
Religião: Os koixomunetí (pajés ou curadeiros) agem para curar de doenças causadas por espírito ou feitiço, auxiliados por 'espíritos companheiros'. A sua maior festa (oheokotí) é quando a constelação das plêiades aparece no horizonte. Todos os pajés enfeitados sacudindo seu maracás passam a noite cantando para invocar seus espíritos companheiros dar boas colheitas (Ladeira e Azanha 2004). Porém muitos Terena são evangélicos.
Cosmovisão: O ser herói Yurikuvakái tirou os antepassados dos Terena de baixo da terra e os ensinou o uso do fogo e das ferramentas agrícolas. Considerados assimilados ainda os Terena dão valor à identidade ética.
Comentário: Missionários Harry e Sra. Whittington com e missionário Hay, da Igreja da Escócia Livre, trabalhando entre os índios no Paraguai, viajaram a cavalo e tiveram o primeiro contato com os indígenas em Niosac, Mato Grosso, 21 de agosto 1912. Aqui um Capitão dos Terena os convidaram visitar sua aldeia. Depois viajaram cinco dias para a aldeia principal de Bananal e Ipegue com uma população 450. Os visitantes foram bem recebidos e foram convidados também às aldeias Caxueirinha e Pasuerinha. Os líderes convidaram que os obreiros voltassem para estabelecer escolas nas aldeias (Whittington 1965.116ss). Voltaram a remo de Miranda MT nos rios para Paraguai!
Respondendo ao convite, o casal Whittington com um casal Howard, novato no campo, voltaram para Brasil em 1913, porém os indígenas não permitiram os missionários enter em Bananal sem autorização do SPI, que foi recebida depois uma demora de um mês enquanto os obreiros acamparam ao ar livre em baixo de coberturas. Começaram uma escola e cultos com uma boa assistência, mas os Terena recusaram cumprir uma promessa de construir uma sala de aula, porque suspeitaram que os brancos queriam tomar conta das terras e expelir os índios. O governo prometeu um professor, que não veio (Whittington 1965.138). Os missionários mudaram uns 15 km. fora de Bananal, fecharam a escola, mas fizeram visitas para dirigir os cultos e o povo demonstrou interesse e ânimo para aprender cantar e houve os primeiros conversos.
Entretanto, quando o professor enviado pelo SPI chegou, influenciou os índios contra a 'heresia' protestante, mas ao mesmo tempo ofereceu a nova sala de aula para os cultos, e depois convidou um padre para aumentar a oposição que dividiu a comunidade (Whittington 1965.145)! Ele pediu um pajé enviar um espírito para matar os missionários e depois preditou que Deus ia matá-los. Dias depois os Whittington foram atingidos por um raio, sem sofrer injúria permanente, mas os crentes. Os índios perturbados por este acontecimento eram mais convencidos do evangelho. Apesar da oposição o primeiro culto de batismo foi realizado em 31 de dezembro 1915 com quatro batizandos e 'a primeira igreja indígena no Brasil' foi fundada dias depois entre os Terena (Whittington 1965.148).
Em 1920 os missionários foram presos na sua própria casa pelo SPI. Uma visita à sede do SPI no Rio de Janeiro era necessário para continuar o trabalho (Whittington 1965.163ss). Após estas dificuldades o trabalho recomeçou com a escola durante o dia e o instituto bíblico para evangelistas Terenas à noite. Os missionários observaram que os evangélicos brasileiros da época não levaram o evangelho aos índios, então resolveram treinar os índios para alcançar seu próprio povo.
O fruto deste trabalho pioneiro hoje é a Missão Indígena Uniedas (União das Igrejas Evangélicas da América do Sul), que serve com missionários e Escola Evangélica Lourenço Buchman funda em 1954. Também o Instituto Bíblica Cades Bárnea, fundado em 1988 com alunos Terena e Xavante, oferece um curso de missões de três anos. A União é composta de 33 igrejas entre os Terena, Kadwéu, Xavante e 3 em Rondônia. A Igreja de Bananal tem 136 membros e a de Ipegue 18.
Muriel Ekdahl, Nacy Butler e Muriel Perkins do SIL traduziram o Novo Testamento durante 35 anos. Para aproveitar a oralidade do povo, filmes e outra média estão sendo usado para promover o uso da tradução. Um rádio terena transmite programas usando a tradução. Dois obreiros terena, Ladislau Faris e Cenisio Custodio estão traduzindo livros do Velho Testamento (SIL).
Também alunos terena foram treinados no Instituto Filipe Landes e no Centro de Treinamento Ami. Global Recordings produziu um áudio de histórias bíblicas e o filme Jesus é em Terena.
Um mini COMPLEI foi realizado entre os Terena em 2010; Pr Henrique Terena é presidente do COMPLEI.
Bibliografia:
DAI/AMTB 2010, 'Relatório 2010 - Etnias Indígenas do Brasil', Organizador: Ronaldo Lidório, Instituto Antropos -instituto.antropos.com.br.
HEMMING, John, 1995, Amazon Frontier-The Defeat of the Brazilian Indians, London: Pan Macmillan.
HEMMING, John, 2003, Die If You Must – Brazilian Indians in the Twentieth Century, London; Pan Macmillan.
LADEIRA, Maria Elisa e AZANA, Gilberto, 2004, 'Terena', Povos Indígenas do Brasil, Instituto Socioambiental, São Paulo. pib.socioambiental.org/pt/povo/terena.
MNTB 2005, Missão Novas Tribos do Brasil, Anápolis, GO, www.mntb.org.br.
OBERG, Kalervo, 2009, 'Terna Social Organization and Law', American Anthropologist, Vol. 50, Issue 2, On line 28 Oct 2009.
SIL 2009, Lewis, M. Paul (ed), Ethnologue: Languages of the World, Sixteenth Edition. Dallas, Tex: SIL International. Versão on line: www.ethnologue.com.
WHITTINGTON, Harry, 1965: On the Indian Trail in Paraguay and Brazil, Edinburgh: Knox Press.
terça-feira, 13 de novembro de 2018
Pib. Socioambiental dos Terenas
Fonte https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Terena - Em 13 Nov 2018.
O Mato Grosso do Sul abriga uma das maiores populações indígenas do país. Os Terena, por contarem com uma população bastante numerosa e manterem um contato intenso com a população regional, são o povo indígena cuja presença no estado se revela de forma mais explícita, seja através das mulheres vendedoras nas ruas de Campo Grande ou das legiões de cortadores de cana-de-açúcar que periodicamente se deslocam às destilarias para changa, o trabalho temporário nas fazendas e usinas de açúcar e álcool. Essa intensa participação no cotidiano sul-matogrossense favorece a atribuição aos Terena de estereótipos tais como “aculturados” e “índios urbanos”. Tais declarações servem para mascarar a resistência de um povo que, através dos séculos, luta para manter viva sua cultura, sabendo positivar situações adversas ligadas ao antigo contato, além de mudanças bruscas na paisagem, ecológica e social, que o poder colonial e, em seguida, o Estado brasileiro os reservou.
Com uma população estimada em 16 mil pessoas em 2001, os Terena, povo de língua Aruák, vivem atualmente em um território descontínuo, fragmentado em pequenas “ilhas” cercadas por fazendas e espalhadas por sete municípios sul-matogrossenses: Miranda, Aquidauana, Anastácio, Dois Irmãos do Buriti, Sidrolândia, Nioaque e Rochedo. Também há famílias terena vivendo em Porto Murtinho (na Terra Indígena Kadiweu), Dourados (TI Guarani) e no estado de São Paulo (TI Araribá). Nestas duas últimas localidades, famílias terena foram levadas pelo Serviço de Proteção aos Índios (SPI) para servirem de "exemplo" aos índios locais (exempo de afinco nas práticas agrícolas e também de "obediência" ao sistema de controle imposto pelos funcionáros daquele extinto órgão público...).As Terras Indígenas Terena atuais foram “requeridas” ao Estado do Mato Grosso pelo SPI nas décadas de 1920 e 1930; duas delas porém (Cachoeirinha e Taunay/Ipegue) foram “concedidas” pelo governo estadual no início do século XX. Do total da população terena, dados da Funasa de 2001 estimam que 13.629 indivíduos habitam as TIs acima relacionadas, ou cerca de 2.400 famílias.
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
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