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terça-feira, 26 de maio de 2020
VÍDEO - REVOLUÇÃO FRANCESA- RESUMO
O Estado e a revolução.
Por Daniel Bensaïd.
Se estivesse vivo, o filósofo e militante marxista francês Daniel Bensaïd completaria hoje seus 63 anos de idade. Em homenagem à data, trazemos este “artigo-prefácio” escrito por ele em agosto de 2007, por ocasião do aniversário de 90 anos da publicação de O Estado e a revolução, de Lênin, obra histórica escrita às vésperas da Revolução Russa. A tradução é de Bruna Ianni e Pedro Barbosa, a partir da versão em espanhol publicada no site do autor, para o Blog da Boitempo. Boa leitura!
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O Estado, a democracia e a revolução: um retorno a Lênin e 1917
Por Daniel Bensaïd.
Tal era a função da ditadura do proletariado, da qual Marx fazia, em sua famosa carta de 1852 a Weydemeyer, uma de suas maiores contribuições à teoria revolucionária de seu tempo. O artigo de Pannekoek foi acolhido como uma recaída em um anarquismo primário. Grande admirador de “Caminhos do poder”, de Kautsky, o próprio Lênin quase não tomou posição na polêmica e continuou aceitando a leitura seletiva dos textos de Marx por seus herdeiros oficiais. Foram, portanto, necessárias a prova da guerra e a revelação da “quebra da II Internacional” para que ele reconsiderasse a questão e relesse sob a pressão de Bukharin a obra de Marx com outros olhos. O Estado e a revolução é o produto desta leitura no calor e na urgência do acontecimento revolucionário.
Para Lênin, como para Engels, o Estado não é nenhum poder imposto à sociedade do exterior, nem, segundo a fórmula de Hegel, “a imagem da realidade na razão”, mas “o produto da sociedade em um estágio determinado de seu desenvolvimento”. Expressa o fato de que “as contradições de classe são inconciliáveis”. A consequência prática disso é que “a libertação da classe oprimida é impossível, não somente sem uma revolução violenta, mas também sem a supressão do aparato de poder de Estado criado pela classe dominante”. Para Marx, de fato, a experiência da Comuna de Paris havia provado que “o Estado representativo moderno” é em primeiro lugar um instrumento de exploração do trabalho pelo capital.
Em sentido oposto ao das utopias pequeno-burguesas de um Estado em levitação por cima das classes, o Estado é a organização da violência de classe. Esta conclusão esclarece as passagens célebres do 18 brumário, nas quais Marx constata que todas as revoluções políticas não tinham realizado até então senão o aperfeiçoamento da máquina de Estado ao invés de “quebrá-la, de demoli-la”, e não de contentar-se com “tomar posse dela”. É precisamente o que levou a cabo a Comuna. A “democracia burguesa” se converte então em “proletária” e “se transforma em algo que já não é mais propriamente um Estado”.
Marx exige então claramente a destruição do Estado existente como “excrescência parasitária” da sociedade. Estas frases, escritas há mais de meio século, se indigna Lênin, foram tão profundamente enterradas pela social-democracia alemã, que para desenterrá-las era necessário realizar “verdadeiras escavações”. Certamente, os anarquistas haviam “evitado as formas políticas” de poder revolucionário, mas os oportunistas da II Internacional por sua vez haviam “aceitado as formas burguesas do Estado democrático parlamentar”. A forma transitória da desaparição de Estado será, contrariamente às ilusões libertárias, “o proletariado organizado em classe dominante”. Marx não tentou inventar esta forma. Se contentou em observar o curso real da luta de classes para descobrir na Comuna “a forma enfim encontrada”.
No período de transição inaugurado por uma revolução, “um aparato militar e burocrático especial” se converte em supérfluo, mas ainda é preciso medir a troca e a distribuição. É somente quando se puder distribuir “vivendas” grátis que “a extinção total do Estado” se colocará na ordem do dia. Enquanto isso, a ditadura do proletariado segue sendo “uma forma de Estado” determinada. Quando Marx polemiza contra as teses anarquistas, insiste Lênin, não é para censurar-lhes a ideia de uma desaparição do Estado, mas sim a sua negativa a utilizar, se for necessária, a violência coercitiva organizada, “é dizer, um Estado”, mas um Estado que já não é, como dizia Engels da Comuna, “um Estado em sentido próprio”.
Para Lênin, como para Marx e Engels, a questão do Estado é indissociável da questão da ditadura do proletariado, como organização da força e da violência, “tanto para reprimir a resistência dos exploradores como para dirigir a grande massa da população”. Se essa “ditadura” tem um caráter de classe, não se concebe, no entanto, como uma ditadura corporativa.* Se trata de tomar o poder para “conduzir o povo inteiro ao socialismo”. A fórmula evoca o conceito de hegemonia, que era corrente na social-democracia russa para definir a relação entre proletariado e campesinato na aliança operária e camponesa, muito antes de Gramsci lhe dar o seu novo alcance estratégico. Já se trata de formar um bloco histórico, sem esquecer que “pelo papel que joga na grande produção, o proletariado é o único capaz de ser o guia de todas as classes trabalhadoras exploradas mas incapazes de uma luta independente por sua libertação”.
História da cartografia - Como surgiram os primeiros mapas.
Antes da invenção da escrita os homens já faziam mapas para representar os lugares onde viviam e por onde passavam. Com o aparecimento das primeiras civilizações, na Mesopotâmia, na Grécia, no Egito e na China e a expansão de seus territórios, os mapas passaram a ter ainda maior importância. Era necessário conhecer os limites das áreas dominadas e as possibilidades de ampliação de suas fronteiras. Mais que uma ferramenta de orientação e de localização, os mapas se transformaram numa técnica fundamental para a expansão das civilizações e o seu desenvolvimento técnico acabou sendo colocado a serviço do poder. Eles se tornaram um instrumento fundamental para definir estratégias militares, na conquista de novos territórios e de outros povos. Através dos mapas, também, os governos organizavam a cobrança de impostos das regiões submetidas a grandes impérios, definiam as rotas militares e comerciais e sintetizavam as principais informações acerca do espaço geográfico que lhes interessava. Cartas de navegação O desenvolvimento da navegação, no século 13, exigiu a elaboração de mapas cada vez mais precisos para apoiar o deslocamento a lugares cada vez mais distante. Surgiram, neste período, as cartas de navegação ou cartas portulanas, criadas pelos navegadores genoveses (Itália), que precederam Cristóvão Colombo. As cartas portulanas utilizaram a bússola para demarcar as direções dos locais conhecidos, a partir de um ponto de referência. Esse tipo de mapas também chamados pelos portugueses de "cartas de marear", só puderam ser elaborados com a popularização do uso da bússola, conhecida há aproximadamente 2.000 anos, mas introduzida na Europa apenas por volta do século 12. As grandes navegações européias, nos séculos 15 e 16, marcaram a conquista do oceano Atlântico. Era necessário descobrir novas rotas comerciais. Portugal e Espanha, os primeiros Estados a se consolidar na Idade Moderna, lançaram-se ao desafio de buscar as mercadorias extraídas ou produzidas no Oriente, através do Atlântico. Novas formas invenções e aperfeiçoamentos técnicos na arte de navegar tornaram possível a navegação para lugares nunca antes conhecidos. A invenção das caravelas, o aperfeiçoamento a bússola, a invenção do astrolábio (instrumento que indicava a inclinação do Sol e permitia determinar a posição da embarcação em relação à linha do Equador) e outros instrumentos viabilizaram tal empreendimento. Os portugueses contornaram o continente africano, sem ter idéia das distâncias e dificuldades que separavam o reino português das mercadorias do Oriente. Os investimentos eram caríssimos e de alto risco. Várias embarcações desapareceram e milhares de vidas foram perdidas nesses empreendimentos. O caminho perseguido pelos portugueses era correto. Quando comparado à opção espanhola era também o mais viável. Mas, naquele momento, ninguém conhecia suficientemente o mundo para ter essa certeza. Portugueses e espanhóis dessa época chegaram a um conhecimento bastante amplo do mundo e representaram este novo horizonte geográfico, através dos mapas. Excluindo a Antártida, a visão da distribuição das terras e das águas tornou-se muito próxima da que temos na atualidade.
Cláudio Mendonça é Professor do Colégio Stockler e autor de "Geografia Geral e do Brasil" (Ensino Médio) e "Território e Sociedade no Mundo Globalizado" (Ensino Médio).
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