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quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Aspectos naturais dos povos indígenas Terenas
TERENAS
PLANTAS MEDICINAIS
O presente projeto teve como objetivo compartilhar com as mulheres Terenas participantes do grupo de estudos dos Direitos das Mulheres Indígenas - Programa de Extensão do LAPPEMA - LABORATÓRIO DE PESQUISA EM POPULAÇÕES TRADICIONAIS, ETNOLOGIA E MEIO AMBIENTE, conhecimentos na área de fitoterapia e o como manejar agronomicamente as plantas medicinais.
As espécies mais utilizadas pelos índios foram agrupadas em três categorias distintas. A categoria 1 agrupa nove plantas cujo uso é considerado validado. A categoria 2 contém cinco plantas cujas atividades farmacológicas foram bem determinadas. No entanto, estas apresentam limitações no uso devido à toxicidade quando usadas em altas doses. A categoria 3 agrupa nove plantas que são pouco conhecidas quimicamente, mas que contam com alguma atividade biológica detectada. A seguir estão listadas as categorias estabelecidas e as informações obtidas para algumas espécies na pesquisa bibliográfica, a qual enfocou a constituição química e a atividade biológica. Categoria 1. Plantas de uso validado Cymbopogoncitratus (DC.) Stapf (Capim-santo) – A ação calmante e espasmolítica leve comprovada é atribuída ao citral presente no óleo essencial, onde também é encontrado o mirceno, responsável pela sua ação analgésica (MATOS, 2000). Ocimumgratissimum L. (Alfavaca) – As ações biológicas são justificadas pelo seu óleo essencial contendo eugenol, que confere à planta um poder anti-séptico, e ainda o 1,8- cineol, um princípio balsâmico responsável pelo emprego eficaz da planta na preparação de banhos anti-gripais em crianças (MATOS, 2000). Estão presentes também na composição do óleo, metil-eugenol, g-selineno, chavicol, nerol, timol, trans-cariofileno, terpineno, canfeno, carvacrol, a e b-pineno, entre outros componentes minoritários. Alguns dos usos populares foram verificados cientificamente, como a atividade relaxante sobre o músculo liso do intestino e a ação fungicida contra quatro espécies do gênero Candida (NAKAMURA et al., 2004). Categoria 2. Plantas de toxicidade estabelecida Aloe vera L. (Babosa) - A babosa tem ação cicatrizante, antibacteriana, antifúngica e antivirótica pela presença das antraquinonas como aloenina, barbaloína e iso-barbaloína em sua composição química (MATOS, 2000). Tais propriedades justificam seu uso popular, mas por causa da sua ação nefrotóxica em doses altas, não deve ser usada como lambedor, pois nessa preparação o teor de seu princípio predominante é aumentado e pode causar severa crise de nefrite aguda. Tendo grande capacidade de regenerar tecidos lesados, o gel que a planta contém, onde estão presentes alguns tipos de glicoproteínas e polissacarídeos, pode ser usado seguramente sobre a pele na forma de emplastro (MATOS et al., 2001). Chenopodiumambrosioides var. anthelminticum (L.) A. Gray (Mastruço ou mastruz) – O uso do óleo essencial desta espécie como anti-helmíntico para humanos foi substituído por medicamentos mais modernos e seguros devido a sua toxicidade. O óleo de quenopódio, como é chamado, contem ascaridol, um potente anti-helmíntico que tem sido também responsável por fatalidades em humanos. De acordo com Matos et al. (2001), quando injetado na corrente sanguínea de animais (coelhos, gatos e cachorros), o óleo provoca uma depressão da circulação, respiração e movimentos intestinais. PhyllanthusamarusSchum. etThonn. (Quebra-pedra) – Várias atividades biológicas têm sido relatadas para esta planta como inibitória da replicação do vírus HIV (NOTKA et al., 2004), anti-alodínica e anti-endematogênica do extrato e lignanas (KASSUYA et al., 2003), inibição de lesão gástrica e inflamação (Raphael; Kuttan, 2003), antitumoral e anticarcinogênica (RAJESHKUMAR et al., 2002) Análise química tem evidenciado a presença de vários constituintes pertencentes às classes dos taninos hidrolisáveis (FOO; WONG, 1992), lignanas e alcalóidespirrolizidínicos, mas ainda não se sabe qual é seu princípio ativo. É considerado tóxico em altas doses devido a presença dos alcalóidespirrolizidínicos (MATOS, 2000). Categoria 3. Plantas pouco conhecidas quimicamente e com alguma atividade biológica comprovada Bauhiniaungulata L. - (pata de vaca) - Embora sua atividade hipoglicemiante tenha sido comprovada em vários experimentos, um único estudo químico registra a presença de insulina nos cloroplastos das células foliares (LORENZI; MATOS, 2002). Bixaorellana L. (Urucum) – Desde os tempos mais remotos os indígenas brasileiros usam o pigmento do urucum como proteção contra insetos e queimaduras por exposição ao sol. Também amplamente usado como corante dos alimentos na cozinha nordestina. As sementes são referidas na literatura etnofarmacológica como medicação estomáquica, tonificante do aparelho gastrintestinal, antidiarréica, antifebril bem como para o tratamento caseiro das palpitações do coração, crises de asma, coqueluche e gripe. Empregado na medicina popular, na forma de chá ou maceradas em água fria ou como xarope nos casos de faringite e bronquite. Na semente ocorre um óleo rico em all-E-geranilgeraniol, monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados, além dos carotenóidesbixina e norbixina responsáveis pela sua cor e alfa e beta-caroteno (LORENZI; MATOS, 2002).
TERENAS - CASAS
As residências se estabelecem em determinado setor tendo por foco aglutinador as parentelas agnáticas (ienõchapá, ou “meus parentes”) – que se constituem na unidade social de maior densidade, política e social, na sociedade Terena contemporânea, seja em situação de Reserva ou de cidade. Essa parentela é constituída por grupos domésticos ligados por laços agnáticos (linha de germanos masculinos), suas famílias de procriação (esposas, filhos e netos) e seus agregados eventuais (filhos adotivos, "primos", ou "tios"), centrado (e organizado) na figura de um chefe – o pai ou (com a morte deste) o irmão mais velho.
As casas destes grupos de irmãos, em geral, localizam-se próximas umas das outras. Seus lotes de roças são contíguos, havendo cooperação econômica e partilha de alimentos entre as casas, constituindo, portanto, uma unidade de produção real que se sobrepõe aos grupos domésticos que a compõe. O apoio mútuo, inclusive político, é a regra – o que não quer dizer que não ocorram problemas e cisões. Aparentemente, o que garante a unidade, o crescimento e o peso político da parentela agnática é a capacidade de liderança e aglutinação do seu chefe – ou seja, sua capacidade de ampliar e manter solidário o grupo de irmãos. Ressalta-se no entanto que, enquanto a composição da parentela agnática é dada genealogicamente (daí seu "fechamento"), a sua unidade é construída pela capacidade do seu líder em efetivar a solidariedade política e a cooperação econômica entre os irmãos (e suas respectivas famílias conjugais).
A residência, por outro lado, abriga o grupo doméstico, composto no seu limite mínimo por duas gerações (pai e filhos) – e, no limite máximo, por quatro (avô, pai, filhos e netos). Do ponto de vista técnico, o grupo doméstico pode ser constituído por uma família nuclear (composta pelo casal e seus filhos solteiros) ou por uma família extensa (pais e filho(s) e nora(s) ou filha(s) e genro(s); ou ainda por dois irmãos e suas esposas ou duas irmãs e seus maridos, caso bem raro no universo Terena). Na Reserva de Cachoeirinha por exemplo, cerca de 13% dos domicílios abrigam famílias elementares; os restantes 87% das casas abrigam famílias extensas, variáveis na sua composição.
A regra geral na sociedade Terena para a residência pós-matrimônio é a patrilocalidade (ou seja, a jovem esposa indo morar na casa do sogro) – pelo menos durante os primeiros anos do casamento, até sua consolidação com o nascimento do(s) filho(s), quando o casal estabelece uma nova residência. Esta nova casa pode ser levantada no grupo de vizinhança do sogro ou de seus irmãos, dependendo do papel mais ou menos aglutinador desempenhado pela parentela agnática. Por outro lado, o número de casos de uxorilocalidade (o jovem esposo indo residir na casa da esposa, que em geral é a casa do pai desta) verificados é alto – e é o fator que "apressa" a construção de uma nova casa pelo marido, via de regra junto ao grupo de vizinhança agnático de onde vem – posto que, em uma sociedade marcadamente patrilinear e que não impõe a obrigação social ou moral de prestar serviços ao sogro – o jovem esposo sente-se desconfortável em ali permanecer por muito tempo (cf. Cardoso de Oliveira, 1968).
Fontes:
https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Terena
http://eventos.ufgd.edu.br/enepex/anais/arquivos/963.pdf
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